Desafios para a produção de proteínas recombinantes em plantas no nordeste brasileiro

20/07/2017 Published at 14h24m

Muito já se ouviu falar sobre melhoramentos em plantas para torná-las resistentes a pragas e com maior qualidade alimentar. No entanto, pouco se conhece sobre como essa tecnologia tem sido empregada para desenvolver e produzir vacinas ou produtos farmacêuticos e industriais.

As estatísticas das últimas décadas prevêem que a necessidade de consumo dos medicamentos excederá a capacidade de produção dos sistemas tradicionais, além disso, algumas medicações são tão complexas que é praticamente impossível serem produzidas sinteticamente.

Isso impulsionou o desenvolvimento de novas tecnologias de Engenharia Genética, que, desde 1980, desenvolve métodos para modificar e transferir material genético de modo que as proteínas que eram extraídas de fontes naturais começaram a ser produzidas em vários organismos distintos, como plantas, bactérias, fungos, células animais e são chamadas de proteínas recombinantes ou heterólogas.

Vários estudos já evidenciaram que a utilização dos sistemas de plantas na produção de proteínas recombinantes oferece muitas vantagens em comparação com os outros, como: baixo custo, fácil cultivo, rápida produção em larga escala e menor risco de contaminação para animais e humanos. Contudo, ainda enfrentam-se muitos desafios na produção de biofármacos em plantas, por exemplo, otimizar uma produção com alto rendimento e conseguir refinar os mecanismos pós-traducionais nas plantas gerando proteínas complexas como nas células animais.

Inclusive já existem produtos comercializados, como o TrypZean®, o Avidin®, a Trypsin®, a vacina para fins veterinários contra o vírus New Castle produzida pela Dow AgroScience desde 2006 e a insulina humana produzida em plantas de cártamo (Carthamus tinctorius) pela empresa canadense de biotecnologia Sembiosys. Ressaltando que existem diversas maneiras de introduzir o DNA exógeno nas células vegetais a depender da espécie utilizada, gerando plantas transgênicas ou que apenas expressem a proteína-alvo por um período determinado.

Se você ficou curioso e quer saber mais sobre o assunto, o professor e pesquisador Eridan Orlando Pereira estará na nossa I Reunião Brasileira em Tecnologias para a Produção e Regulamentação de Biofármacos (TECBIO- http://tecbio2017.com.br/br/node/684) detalhando como funciona essa tecnologia e compartilhando os desafios e esforços inovadores do seu grupo de pesquisa na produção de proteínas recombinantes do vírus da dengue e zika no desenvolvimento de testes de diagnósticos mais eficientes, rápidos e como candidatas vacinais para essas doenças utilizando a espécie do nordeste brasileiro Vigna unguiculata, o delicioso feijão-de-corda.


 

Eridan Orlando Pereira Tramontina Florean é biólogo pelo Centro Universitário de Araraquara, mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2005) e doutor em Biology - The University of Western Ontario (2013). Atualmente é Professor Visitante na Universidade Estadual do Ceará (UECE) e professor da Rede Nordeste de Biotecnologia (RENORBIO), Socio Pesquisador - Greenbean Biotecnologia, Colaborador - International Society of Plant Molecular Farming .

 

Redigido por: Priscila Caracas

 

Referências

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232011000800033

BRAVO-ALMONACID F, et al., 2005, 'Las plantas como fábrica de proteínas terapéuticas', Horizonte Agropecuario, 68: 40-43. Disponible en http://www.argenbio.org/adc/uploads/pdf/BioHA9.pdf

LEVITUS G, et al. (eds.), 2010, Biotecnología y mejoramiento vegetal II, INTA, Buenos Aires. Disponible en http://intainforma.inta.gov.ar/wp-content/uploads/2010/09/bio_WEB.pdf

MAXMEN A, 2012, 'Drug-making plant blooms', Nature, 485: 160. Disponible en http://www.nature. com/news/drug-making-plant-blooms-1.10604

http://www.scielo.br/pdf/csc/v16n7/33.pdf

http://inovacao.scielo.br/pdf/inov/v2n5/a21v02n5.pdf

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http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/16859/1/2014_AnaClaudiadeSouza.pdf