Biobetters: os fármacos do futuro

20/07/2017 Published at 14h23m

A indústria farmacêutica é constantemente tomada pela necessidade de inovação, com os biossimilares aparecendo recentemente como um dos últimos avanços obtidos, os quais vêm superando os fármacos genéricos. Medicamentos biológicos são o que há de mais moderno no tratamento de várias doenças, entre elas o câncer e as autoimunes. O Brasil já está produzindo esses medicamentos, tornando-os acessíveis a mais pessoas e reduzindo a dependência tecnológica e vulnerabilidade do nosso país em relação ao mercado internacional.

Com a constante entrada de novas e grandes empresas no mercado farmacêutico, será frequente o desenvolvimento de biossimilares que incorporam avanços como melhores formas de administração, anticorpos humanizados com menor imunogenicidade, novos padrões de glicosilação, formulações peguiladas (que permitem doses menos frequentes) etc. Tais produtos têm sido denominados biossuperiores (biobetters), indicando que não são propriamente biossimilares, mas cópias com atributos superiores e clinicamente relevantes em relação ao medicamento de referência, como maior especificidade, maior afinidade ou redução dos efeitos colaterais, por exemplo, adquiridos através de mudanças a nível molecular, o que é promovido com o auxílio da engenharia de proteínas.

A área de engenharia de proteínas com ação terapêutica é desenvolvida por exemplo na Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), onde são unidas as atividades de evolução de proteínas no computador e na bancada do laboratório, com o objetivo de desenvolver novos anticorpos e biofármacos dos tipos biossimilares e biobetters, ou seja, aqueles derivados dos medicamentos comerciais, mas que têm alguma propriedade melhorada no laboratório. Na produção dos biofármacos, tem-se a cooperação técnica com o Laboratório de Biologia Molecular e do Desenvolvimento (LBMD) da Universidade de Fortaleza. Este participou da criação da cabra Gluca, o primeiro clone caprino transgênico da América Latina, que expressa a proteína glucocerebrosidase humana, capaz de tratar a doença de Gaucher.

Este tema será amplamente abordado durante a TECBIO 2017 pelo Dr. Gilvan Pessoa Furtado, o qual é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz no Ceará (FIOCRUZ-Ceará) com interesse no desenvolvimento de anticorpos com ação terapêutica. O mesmo possui experiência nas áreas de bioquímica e biologia molecular, com ênfase na área de engenharia de proteínas e estudos proteômicos. Também trabalhou com evolução dirigida de proteínas, criação de enzimas quiméricas multifuncionais, prospecção de ligantes via phage display e análise proteômica em larga-escala; sendo assim, é um palestrante que tratará do tema com bastante propriedade, enriquecendo ainda mais o evento.

Redigido por: Melissa Ribeiro


 

Referências

http://static.labnetwork.com.br.s3.amazonaws.com/wordpress/wpcontent/uploads/2014/07/Manual-Medicamentos-Biol%C3%B3gicos-eBiossimilares.pdf

https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-ceara-biotecnologia

http://www.impresso.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/suplementos/ciencia-e-saude/2016/10/29/interna_cienciaesaude,157012/biossimilares-os-remedios-do-futuro.shtml